Texto pensado em meus avós, que estão passando por um momento difícil.
Ana Carolina Sardo
Querido Papai Noel, estou fazendo essa carta porque quero ganhar um brinquedo no natal, que vai ser amanhã, eu tenho 8 anos e me chamo João. Papai me disse que se eu fizesse essa cartinha pra você, eu ganharia o meu brinquedo já nesse natal. Então eu vim pedir um vídeo game pra mim jogar com os meus amigos. Eu tenho um amigo que tem um, e é muito legal, nós jogamos todos os dias. Ah! Se você puder, quando vim trazer o meu brinquedo e descer pela chaminé, coloca ele embaixo da árvore de natal, que minha mãe fez pra gente esperar você, nós colocamos umas meias pra você colocar seu doces. Aqui está nevando muito, então toma cuidado pra não escorregar. Eu queria muito te conhecer Papai Noel, meu pai fala todo dia de você e fala que se eu for uma boa criança vou ganhar o que eu pedir, por isso tenho me comportado todo dia, assim você não tem motivos pra não me dar não é mesmo? Então é isso, espero você com meu brinquedo aqui!
Querido Papai Noel, estou fazendo essa carta mesmo sabendo que ela nunca chegará a você. Enfim, o natal já é amanhã, agora meus 8 anos se foram e aqui estou eu depois de 20 anos relembrando os velhos tempos. Meu pai não está mais aqui comigo, mas esse dia sempre me faz lembrar das coisas que ele me contava. Meu amigo que te falei, está aqui comigo, aliás estamos jogando vídeo game, mas como aquele que pedi pra você, infelizmente já estragou, compramos outro. Aliás só depois de anos, descobri que não foi você quem trouxe o meu presente de 8 anos. De qualquer forma, minha casa estará sempre arrumada pra você, agora moro em apartamento, então acho que você vai ter que vim pelo elevador mesmo, pelo menos assim, a neve não irá atrapalhar. Agora quem enfeita minha casa, sou eu, minha mãe também não está mais aqui comigo, mas os enfeites ainda são como os dela.
Ter milhares de ursos e cada um com um nome diferente, conversar com o urso considerando ele uma pessoa real, fazendo assim com que eu nunca me sentisse sozinha e sem que alguém acabe tirando sarro. Brincar de casinha, de professora, de veterinária, de lojinha, de médica e várias outras coisas em que a imaginação não teria limite. Assistir aos desenhos animados e sempre escolher algum personagem para eu e cada amiga fingir que fazia parte desse desenho.